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Influenciadores

Dicas, partilha de experiências e best practices sobre blogging e influenciadores digitais

08.Ago.19

Entrevista Catarina Leonardo: Blog Wandering Life

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Catarina Leonardo, fez todo o percurso académico e profissional "normal". Trabalhou 14 anos em consultoria mas a maternidade trocou-lhe as voltas. Em 2016 deixou a carreira como consultora para trás e dedicou-se às viagens e ao blog Wandering Life, onde partilha mais sobre as suas aventuras a 3, já que nunca viaja sem o marido e a filha Maria.

Paralelamente, juntou forças com Filipe Morato Gomes, do blog Alma de Viajante, e criou a Associação de Bloggers de Viagem Portugueses (ABVP), cujo foco é o desenvolvimento profissional dos bloggers de viagem em Portugal. 

Nesta entrevista, Kate (como é conhecida na blogosfera) partilha mais sobre o seu percurso, as suas melhores e piores experiências em viagem, como faz a gestão do orçamento, deixando ainda conselhos para futuros bloggers.        

 

Conte-nos mais sobre a Catarina e como surgiu o Wandering Life.

Desde pequena, com os meus pais, sempre este presente o hábito de passear, sair de casa e ver outras coisas. A minha curiosidade de ver e compreender o mundo, a sua história e as diferentes culturas e formas de viver começaram por aí.

Ao longo dos anos fiz o percurso considerado normal, ou seja, estudei vários anos, fiz uma licenciatura, pós graduação, mestrado e comecei a trabalhar. Fui consultora durante 14 anos, em 3 empresas diferentes.

Nos últimos tempos em que estava a trabalhar desta forma “normal” comecei verdadeiramente a questionar o rumo da minha vida profissional. Sentia um desejo enorme de me dedicar a uma outra coisa, algo que me desse mais tempo e mais liberdade. Quando engravidei e tive a minha filha tive a certeza de que era o momento certo. Despedi-me sem saber muito bem o que ia fazer a seguir, acreditando que apenas precisava de algum tempo para refletir. E assim foi.

Tornou-se muito claro para mim que me queria dedicar às viagens que fui sempre fazendo, e a fazer disso uma profissão. E foi assim que em junho de 2016 surgiu o meu blog de viagens, Wandering life. Neste projeto pretendo partilhar o que está por detrás das coisas que vemos quando viajamos e desta forma inspirar outros a terem um outro olhar para o mundo que nos rodeia. Acredito que a nossa experiência se torna mais rica quando entendemos o que estamos a ver. As coisas ganham um outro sentido.

 

O facto de o seu marido ter alterado o rumo profissional teve alguma influência na sua mudança?

Teve alguma influência sim. Quando nos conhecemos éramos ambos consultores, em empresas e áreas diferentes. Ele estava num momento de enorme descontentamento e de vontade de mudar e eu ainda nem tanto. Quando começámos a namorar ele já tinha pedido uma licença sem vencimento e tinha acabado de entrar para um doutoramento. Ainda fez um ano mas acabou por desistir e algum tempo depois também cortou as amarras que ainda tinha com a antiga empresa onde trabalhava. Inscreveu-se num curso de piloto de aviação civil e quando o terminou entrou para a companhia aérea que era o seu grande objetivo. Paralelamente a isto, tivemos uma filha, casámos e com a Maria com poucos meses de vida é que se tornou claro que era o momento de mudar de vida.

Não foi uma decisão fácil ou repentina. Durante cerca de um ano pensei e pesquisei bastante. Mas o facto de querer estar mais tempo com a minha filha e ter alguém ao meu lado que teve a coragem de arriscar tudo influenciaram bastante.

 

O que mudou com o nascimento da sua filha?

Tudo! J Antes de ser mãe a minha prioridade era eu e depois de ter a Maria passou a ser ela. E isto é mesmo muito. A minha vida, os meus horários, a gestão dos meus compromissos pessoais e associados ao blog, implica uma gestão e organização antecipada que antes não existia. Ainda para mais quando o meu marido não tem um horário “normal”!

Em relação às viagens, mudou o ritmo. Agora viajo de forma mais lenta e englobo sítios e atividades que de outra forma não o faria. Tem sido uma evolução muito interessante na minha forma de ver o mundo e de viajar. Gosto mesmo de viajar em família, vivo momentos muito bons onde são criados criam momentos únicos de cumplicidade.

 

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Qual o destino que mais a marcou e porquê?

A viagem que mais me marcou foi a que fiz há Índia, há uns anos atrás com uma grande amiga e companheira de várias aventuras. Foi a primeira vez que viajei para a Ásia e quando saí do aeroporto de Delhi senti uma adrenalina enorme. Lembro-me do choque que estava a sentir, por todas as diferenças que estava a experienciar, mas era uma emoção muito positiva. Ao longo da viagem fui-me apaixonando cada vez mais e mais, pela cultura, arquitetura, forma de viver, o ritmo, tudo me fascinava. O ponto alto das semanas que lá passei foi o tempo que passei em Varanasi, a cidade sagrada para os hindus. Observar a forma como se relacionam com a morte, assistindo a todo o ritual das cremações, foi uma experiência muito forte.

 

Qual a sua melhor e pior experiência em viagem?

Uma viagem que ficou na memória foi quando andei pelas Caraíbas durante cerca de um mês, com mais três amigos. Percorremos de mochila às costas Miami, Bahamas, Cuba e Jamaica e foi memorável. O tempo estava bom, a comida era brutal e barata (menos em Miami claro!), as paisagens perfeitas e os jantares na praia com a mesa dentro de água foram memoráveis. E claro, o mais importante, o ambiente que existia entre nós. Que saudades. Já tornámos a viajar mas nunca com todos os quatro juntos.

A acho que aconteceu na primeira vez que fui a Barcelona. Não teve nada a ver com o sítio que eu gosto imenso, mas sim com as pessoas que foram comigo. Comecei por combinar com uma amiga, uma pessoa que já conheço há quase tantos anos quanto tenho de vida. Nunca tinha viajado com ela mas já sabia que ia correr bem. A parte mais chata foi 3 amigas dela também quererem ter ido e isso estragou totalmente o ambiente. Fomos todas contentes em grupo, mas passado uns dias ficou claro que nos iríamos separar, queríamos ver a cidade de formas totalmente diferentes. Isto podia ter sido pacífico, mas acabámos mesmo por nos chatear. Aprendi que não se viaja com todos os amigos...

 

Como faz a gestão do orçamento para as viagens? O que aconselha aos leitores com  um orçamento mais reduzido?

Como viajo com alguma regularidade procuro sempre escolher alojamento a um bom preço. Prefiro viajar mais vezes do que menos e ficar em hotéis luxuosos. Antigamente ficava em hostal pelo preço e ambiente, que facilita muito mais o contacto com outros viajantes. Mas desde que a Maria nasceu e que me acompanha passei a ficar em hotéis e por vezes AirBnb, apenas pela questão do barulho.

Normalmente num hostal o ambiente é de festa, de convívio, os horários de entrada e saída são mais irregulares, o que implica que é muito difícil conseguir assegurar condições para uma criança dormir cedo. Num hotel o ambiente é mais tranquilo, é muito mais fácil. Claro que isto é tudo muito relativo, mas é no geral a experiência que eu tenho. Cada vez que pesquiso alojamento procuro arranjar um alojamento que tenha um equilíbrio entre bom preço e bons comentários quanto ao ambiente.

Relativamente às refeições tento ir normalmente aos restaurantes onde os locais vão. Já aprendi que são muito melhores, mais autênticos e mais baratos. Para pesquisar voos utilizo sempre motores de busca como a Momondo, que fornece uma boa comparação de preços das várias companhias, mas quase sempre utilizo a TAP.

Normalmente o custo maior de uma viagem são os voos de ida e volta, por isso aconselho a comprar com muito tempo de antecedência e depois de alguma pesquisa feita. Ou se não houver um destino ainda decidido aproveitar uma promoção que possa existir, mesmo que seja para um sítio que não se estava a pensar ir para já. Para poupar o dinheiro do alojamento é sempre possível fazer couchsurfing ou house-sitting, que ainda por cima permite um contacto próximo com os habitantes locais.

E claro que o destino também depende muito do orçamento que tiver. Há que pesquisar qual o custo de vida de cada país.

 

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Qual o próximo destino? Como faz a escolha dos sítios a visitar?

O meu foco nas viagens e no blog é sempre a história do que está por detrás do que vejo. Tenho por isso sempre preferência por locais que tenham uma história/cultura interessante. Atenção que eu não procuro só museus e monumentos, longe disso. Vou algumas vezes claro, mas também procuro história num prato típico, numa festa da cidade, num trilho numa montanha importante numa batalha (aconteceu no mês passado quando estive na Eslovénia) ou na experiência de estar algum tempo numa ilha isolada, sem turistas. Isto aconteceu há dois anos, numa ilha das Maldivas, sem turistas nem resorts.

A próxima talvez seja Tel Aviv, tenho muito interesse em conhecer aquela encruzilhada maravilhosa de culturas. E os mercados, adoro mercados.

 

Como surgiu a ABVP e qual o seu propósito?

A ABVP é um sonho antigo, que tem mais ou menos o tempo do meu blog, ou seja, três anos. Desde o início que sentia que fazia sentido juntar a comunidade blogger (de viagens), trocar experiências e conhecimento. Nessa altura não conhecia mais ninguém que alinhasse nesta ideia por isso ficou adormecida.

No final do ano passado, vi um comentário no facebook que falava que os bloggers estavam muito dispersos ou qualquer coisa do género. Eu aproveitei logo a oportunidade para comentar que já queria reunir num organismo oficial há algum tempo. Felizmente o Filipe Morato Gomes viu o meu comentário, confessando que tinha uma ideia igual à minha. A partir daí juntámos forças, formámos uma equipa de 9 bloggers e no dia 1 de março nasceu a Associação de Bloggers de Viagem Portugueses. O nosso foco é o desenvolvimento profissional dos bloggers de viagem. Queremos valorizar o trabalho e criar condições de partilha de conhecimento e estimular relações éticas e transparentes com o mercado.

 

Que conselhos deixaria para futuros bloggers de viagens?

Penso que o mais importante é ter muita motivação e vontade de aprender/trabalhar. Para ter um blog é preciso aprender sobre assuntos diferentes como Wordpress ou SEO, redes sociais, marketing, branding, fotografia e vídeo. Não é nada que todos não possam fazer, mas talvez menos consigam manter o nível de motivação. Não no início, que é mais normal haver, mas nos meses/anos que vêm a seguir, em que se trabalha e ainda não se vê o retorno que gostaríamos. Mas claro que tudo depende do objetivo que cada blogger tiver.

É como em tudo na vida, se quisermos muito, conseguimos. Eu acredito mesmo nisto, de outra forma não teria deixado 14 anos de consultoria para tentar fazer de blogger de viagens a minha profissão!

 

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